A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPMT) apresentou sua experiência no uso de computação em nuvem e inteligência artificial durante o AWS Fórum Executivo Brasil 2026 - Setor Público, evento nacional voltado à aplicação de novas tecnologias na administração pública. Representando a instituição, o diretor de Governança Digital e Inovação (DGDI), Ricardo Luís Pinheiro, integrou a programação oficial com a apresentação do trabalho “Nuvem e IA na Defensoria Pública: inovação com propósito social”, na qual mostrou iniciativas desenvolvidas, implementadas e já com resultados na atuação da DPMT nos últimos anos.
A programação do AWS reuniu representantes de órgãos públicos, empresas e especialistas para discutir aplicações práticas de inteligência artificial, computação em nuvem, dados e transformação digital no setor público. Entre os temas abordados estiveram IA agêntica, modernização de sistemas, infraestrutura em nuvem, soberania digital, segurança e uso de novas tecnologias para ampliar a eficiência dos serviços prestados à população. O evento também apresentou experiências de instituições como Ministério da Educação (MEC), Advocacia Geral da União (AGU), Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria-Geral da União (CGU), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Caixa Econômica Federal e Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro).
Durante a apresentação, Ricardo mostrou a trajetória de transformação da infraestrutura tecnológica da Defensoria de Mato Grosso e como a adoção da computação em nuvem abriu caminho para novas soluções voltadas tanto à atividade dos gabinetes quanto ao atendimento dos cidadãos. “Na Defensoria Pública, a tecnologia não é um fim em si mesma. Nosso objetivo é utilizá-la para ampliar a capacidade de atendimento, facilitar o trabalho de defensores e servidores e, principalmente, tornar o acesso aos serviços mais simples e ágil para quem precisa da instituição. Quando falamos em inteligência artificial e computação em nuvem, estamos falando de ferramentas que precisam estar a serviço da população, sempre com segurança, responsabilidade e proteção dos dados dos cidadãos”, declarou Ricardo.
Da infraestrutura física à nuvem - Antes da migração para a nuvem, a DPMT enfrentava limitações como ausência de data center próprio, dependência de prestadores externos, restrições para grandes investimentos em equipamentos e escassez de pessoal especializado para administrar infraestrutura física, lembra Ricardo. Ele conta que a computação em nuvem permitiu maior elasticidade da infraestrutura, provisionamento mais rápido de recursos e substituição de grandes investimentos iniciais em equipamentos por um modelo baseado no uso dos serviços.
“Atualmente a Defensoria mantém mais de 53 aplicações em ambiente de nuvem, o que permite executar sistemas e serviços digitais com maior flexibilidade, disponibilidade e segurança, sem depender exclusivamente de infraestrutura física própria. A estrutura também reúne serviços de armazenamento, bancos de dados, backup, certificados digitais e monitoramento. Na área de inteligência artificial, a instituição utiliza o AWS Bedrock como base para desenvolver e gerenciar aplicações de IA generativa”, informou Ricardo.
Inteligência artificial nos gabinetes - Entre as iniciativas apresentadas está o Gab.IA, plataforma de inteligência artificial voltada ao apoio das atividades dos gabinetes da Defensoria. A solução reúne ferramentas de transcrição, análise de processos, biblioteca de prompts e o Zeca, assistente virtual destinado a consultas e esclarecimentos. Até 15 de setembro de 2026, o Gab.IA contabilizava 13.666 transcrições, incluindo degravações de depoimentos, oitivas e audiências; 27.848 processos analisados; 33.816 interações com o Zeca e 520 prompts cadastrados em sua biblioteca.
“Os resultados que temos após o uso dessas ferramentas mostram a redução do tempo necessário para análises preliminares, maior capacidade de processamento das demandas jurídicas e aumento da produtividade diária dos gabinetes. Paralelo a isso, destaco que usamos medidas de segurança e privacidade, incluindo proteção de dados sensíveis dos cidadãos que atendemos, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e utilização de ambiente privado para processamento das informações”, disse.
Ricardo explicou que os próximos passos nesse trabalho incluem o aprimoramento das ferramentas de transcrição e a integração nativa do Gab.IA com o Solar, sistema utilizado na gestão de processos e atendimentos da instituição.
IA voltada ao cidadão - Outro projeto apresentado no evento foi o Dona Dê, iniciativa desenvolvida para tornar o atendimento digital da Defensoria mais simples e acessível. A solução busca substituir uma experiência de navegação baseada em um extenso menu de WhatsApp, que chegou a reunir 145 opções, por uma interação mais intuitiva e conversacional. O modelo anterior representava maior dificuldade para que cidadãos, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade, encontrassem o serviço desejado.
A proposta da Dona Dê envolve linguagem simples e acolhedora, possibilidade de autoatendimento, triagem prévia das demandas, segurança das informações e utilização de dados estruturados para auxiliar a instituição na identificação dos principais tipos de procura pelos serviços da Defensoria.
A ferramenta entrou em funcionamento piloto no Núcleo de Barra do Garças, mas, a perspectiva é ampliar a Dona Dê para 100% das comarcas e municípios de Mato Grosso até dezembro de 2026 e aprofundar sua integração com o Solar, desenvolver automações para procedimentos como cadastro, envio e recebimento de documentos e qualificação dos atendimentos.
Ricardo explica que o avanço tecnológico ocorre em um cenário de aumento da demanda pelos serviços da Defensoria. A instituição realizou 548.808 atendimentos em 2024 e 649.218 em 2025, crescimento de 18,3%. Em 2026, até as 15h do dia 25 de setembro, já haviam sido contabilizados 609.993 atendimentos. “A nossa participação no Fórum mostrou como a DPMT vem utilizando infraestrutura em nuvem e inteligência artificial para apoiar o trabalho de defensores e servidores e, ao mesmo tempo, buscar formas de tornar o acesso aos serviços mais rápido, simples e eficiente para a população”, concluiu o diretor da DGDI.