Um ano e quatro meses após enfrentar uma das maiores batalhas de sua vida, ainda em seus primeiros meses, J. M. D., hoje com dois anos, corre, brinca e se desenvolve como qualquer criança da sua idade. Para a mãe, Adiane Larissa Dourado, cada gesto do filho carrega um significado especial: o de vitória.
A história começou logo após o nascimento, quando Adiane percebeu algo diferente no formato do crânio do bebê, que apresentava uma testa mais pontuda do que o comum. Mesmo diante de avaliações médicas indicando normalidade, a mãe persistiu na investigação, determinada a entender a condição do filho.
Após exames detalhados, ela conseguiu o diagnóstico preciso: craniossinostose metópica, condição grave caracterizada pelo fechamento precoce da sutura frontal do crânio, que, se não tratada, pode comprometer o desenvolvimento cerebral, causar aumento da pressão intracraniana, déficits cognitivos, problemas visuais e deformidades permanentes.
E a única alternativa indicada para o problema foi a cirurgia de alta complexidade, com urgência. O problema, no entanto, é que o procedimento não estava disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso e o custo do tratamento na rede privada foi estimado em R$ 175 mil, valor inacessível para a família.
Diante do problema e das restrições, a família procurou a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso, no município de Vila Bela da Santíssima Trindade e com base em laudos médicos que classificavam o caso como prioridade máxima, a defensora Hevillin de Figueiredo ingressou com a ação judicial solicitando a realização imediata da cirurgia.
A Justiça determinou o bloqueio de valores para custear o tratamento em um hospital especializado em São Luís (MA), onde o procedimento foi realizado no dia 17 de dezembro de 2024.
Momentos de Tensão - Adiane recorda que um dia após a cirurgia o filho sofreu uma crise asmática, seguida de uma parada cardíaca. “Foi o pior momento da minha vida. Nós quase o perdemos. Mas Deus foi maravilhoso e a equipe médica agiu muito rápido”, relembra.
Hoje, ao olhar para o filho cheio de energia e saúde, ela resume o sentimento em poucas palavras. “Meu filho é uma verdadeira bênção. Ele é inteligente, carinhoso, um presente de Deus nas nossas vidas. A cirurgia foi um sucesso para honra e glória de Deus e meu milagre está aqui, firme e forte. Só tenho a agradecer à Defensoria Pública pela vida do meu guerreiro”, disse.
A intervenção precoce foi decisiva. Especialistas explicam que, sem o procedimento, a craniossinostose pode causar complicações graves, como hipertensão intracraniana, atrasos no desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem. Quando tratada nos primeiros meses de vida, no entanto, a condição tem altas chances de cura e permite que a criança tenha uma vida normal.
Hoje, J. M. D. apresenta desenvolvimento cognitivo, físico e emocional compatível com sua idade, levando uma vida ativa e saudável, resultado direto da união entre o olhar atento de uma mãe, o avanço da medicina e o acesso à Justiça.
A defensora avalia que o caso reforça o papel da Defensoria Pública na garantia do direito à saúde, especialmente em situações urgentes e de alta complexidade. A instituição acompanhou toda a trajetória da família, desde o ajuizamento da ação até o período pós-operatório, assegurando que o tratamento fosse realizado no tempo necessário.
Para Hevellin, o caso simboliza algo maior.
“É inegável que a ciência avança muito rápido. Tivemos recentemente a descoberta da polilaminina por uma cientista brasileira, mas nem todos conseguem acessar esses avanços. Isso gera uma sensação de impotência que é superada quando a Defensoria atua. Conseguimos levar esse tratamento a quem precisa, mesmo em locais distantes, como neste caso. Garantimos o acesso dessa criança a um dos poucos especialistas que realizam esse tipo de cirurgia no Brasil”, concluiu.
Veja aqui a história do caso, divulgada há um ano e quatro meses.