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VIOLÊNCIA DOMÉSTICA


Defensoria orienta mulheres a reconhecer primeiros sinais de relacionamentos abusivos e buscar ajuda

Levantamento do DataSenado mostra que ciúme motivou 59% das agressões e que ex-companheiros aparecem em 75% dos casos em MT

Por Alexandre Guimarães
31 de de 2026 - 17:19
Arquivo/DPEMT Defensoria orienta mulheres a reconhecer primeiros sinais de relacionamentos abusivos e buscar ajuda


Ciúme excessivo, controle, humilhações, perseguições e dificuldade em aceitar o fim de um relacionamento nem sempre são percebidos, de imediato, como violência. Muitas vezes, esses comportamentos surgem aos poucos e acabam naturalizados. Porém, quando passam a provocar medo, insegurança e restrição da liberdade, podem indicar um relacionamento abusivo e um ciclo de violência doméstica e familiar.

É nesse contexto que a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) reforça a importância de reconhecer os primeiros sinais e buscar orientação antes que a situação se agrave.

Dados do Instituto DataSenado, referentes à Pesquisa Estadual de Violência Contra a Mulher (2025), divulgada em agosto deste ano, ajudam a dimensionar o problema: 14% das mulheres entrevistadas em Mato Grosso afirmaram ter sofrido violência doméstica e familiar nos 12 meses anteriores.

Entre os fatores relacionados à agressão mais grave, o ciúme aparece em 59% dos relatos. Já a não aceitação do término ou da tentativa de término do relacionamento foi mencionada em 52% dos casos.

Para a defensora pública Rosana Leite, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem) da DPEMT, esses comportamentos devem ser vistos como sinais de alerta, especialmente quando já fazem parte de uma relação marcada por abusos.

“Todas essas situações, tais como ciúmes, embriaguez e não aceitação do término do relacionamento, são potencializadores da violência doméstica e familiar. É muito importante a atenção aos sinais que os relacionamentos tóxicos apresentam. Viver em um relacionamento abusivo é viver em violência doméstica e familiar”, destacou.

Perigo mesmo após o término – Um dos dados que mais chamam a atenção no levantamento é o perfil dos autores das agressões. Em 75% dos relatos, as mulheres apontaram ex-namorados, ex-maridos ou ex-companheiros como suspeitos.

O dado reforça um alerta importante: o fim do relacionamento não significa, necessariamente, o fim da violência. A dificuldade do agressor em aceitar a separação pode se transformar em perseguições, ameaças, controle, violência psicológica e agressões físicas.

A defensora pública explica que fatores como o consumo de bebidas alcoólicas ou outras substâncias e a inconformidade com o término não criam um agressor, mas podem agravar manifestações de uma violência que já existe.

“Nada faz criar pessoas agressoras, apenas externa a agressão que, a qualquer momento, seria demonstrada. Todavia, tudo isso pode ficar ainda pior quando outros ‘ingredientes’ são adicionados, tal como o ciúme, o uso de bebidas alcoólicas ou substâncias entorpecentes e a não aceitação do término”, alertou.

Rosana também relembra o período da pandemia de Covid-19, quando mulheres que já viviam em situação de violência tiveram de permanecer isoladas com seus agressores.

Violência antes da agressão física – A violência doméstica pode começar de maneira silenciosa. Controle excessivo, ciúme possessivo, humilhações, ameaças, isolamento de familiares e amigos, controle financeiro e perseguição também podem fazer parte do ciclo de violência.

Por isso, a orientação da Defensoria Pública é para que a mulher não espere a situação chegar ao extremo para procurar ajuda. Ao identificar comportamentos que provoquem medo, insegurança ou restrição de sua autonomia, é importante buscar uma rede de apoio e serviços especializados.

“É muito importante a atenção aos sinais que os relacionamentos tóxicos apresentam”, reforçou a defensora.

Segundo a coordenadora do Nudem, os dados também são fundamentais para orientar a formulação de políticas públicas de prevenção e proteção.

“As estatísticas são de extrema importância para que sejam trabalhadas políticas públicas, inclusive mostrando que as mulheres podem ser vítimas a qualquer momento, por conta dos sinais”, ressaltou.

Atendimento especializado – A Defensoria Pública atua na orientação e na defesa dos direitos das mulheres em situação de violência doméstica e familiar. O atendimento especializado permite esclarecer direitos, orientar sobre medidas legais de proteção, realizar encaminhamentos e adotar as providências necessárias de acordo com cada caso.

A atuação da Instituição também busca fortalecer a autonomia das mulheres, para que possam compreender seus direitos e tomar decisões com segurança.

No dia 10 de agosto, a DPEMT lançou a campanha “Seja a Voz que Acolhe”, com o objetivo de combater à violência contra a mulher em todo o estado.

A ação busca sensibilizar a população para identificar os sinais de violência e estimular familiares, vizinhos e colegas a acolherem as mulheres que precisam de apoio e proteção.

Ao acessar o site, a população poderá conferir o “Painel da Violência”, com dados de atendimentos da Defensoria Pública voltados às mulheres em todo o estado.

O espaço digital também conta com o “Painel de Defesa das Mulheres”, por meio do qual a sociedade poderá acessar os serviços do Núcleo de Defesa da Mulher. .

Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher – O levantamento do Instituto DataSenado reúne informações sobre violência doméstica e familiar contra as mulheres em todo o país.

A edição de 2025 da pesquisa realizou entrevistas telefônicas com 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o território nacional, entre os dias 16 de maio e 8 de julho de 2025.

Os dados completos podem ser consultados no Painel de Dados do DataSenado, no site do Senado Federal.