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AÇÃO CIVIL PÚBLICA


Defensoria Pública atua para garantir atendimento médico contínuo e colchões na PCE

Ação com pedido de urgência cobra a regularização de consultas, exames e fornecimento de itens básicos aos reeducandos

Por Alexandre Guimarães
21 de de 2026 - 12:23
Bruno Cidade/DPEMT Defensoria Pública atua para garantir atendimento médico contínuo e colchões na PCE


A Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso (DPEMT) ingressou com uma ação civil pública (ACP) para garantir assistência de saúde contínua e condições materiais dignas aos internos da Penitenciária Central do Estado (PCE).

Protocolada pelo defensor público Fábio Barbosa no dia 10 de julho, a ACP solicita que a Justiça determine a regularização imediata de atendimentos médicos e odontológicos, a realização de exames já solicitados e o fornecimento de colchões adequados para o uso.

“Temos sentido uma omissão por parte do sistema penitenciário no que tange à prestação da saúde. Encaminhamos diversos ofícios, realizamos diversas tratativas. Alguns casos são mais complexos, outros são de mais fácil resolução”, revelou o defensor.

A ação foi ajuizada na Vara Especializada da Fazenda Pública da comarca de Cuiabá, após a constatação de falhas recorrentes durante os atendimentos realizados pela Defensoria na maior unidade prisional do estado.

Segundo o documento, os defensores identificaram que muitos custodiados estão sem colchões ou utilizam materiais deteriorados e impróprios.

Na área da saúde, consultas ao sistema de regulação (SISREG III) comprovaram a demora para que os presos com patologias recebam acompanhamento médico.

Antes de recorrer ao Judiciário, a DPEMT tentou solucionar o problema de forma administrativa, enviando diversos ofícios requisitórios à Administração Penitenciária, mas não obteve respostas satisfatórias ou medidas concretas.

Para fundamentar o pedido, a Defensoria Pública baseou-se na Constituição Federal de 1988 e na Lei de Execução Penal (LEP), que asseguram o direito à integridade física e moral dos presos.

A ação destaca ainda as “Regras de Mandela”, diretrizes da Organização das Nações Unidas (ONU) que determinam que a prestação de serviços médicos aos reclusos é uma responsabilidade do Estado, sem discriminação.

Além do atendimento imediato, a Defensoria solicita a aplicação de uma multa diária de R$ 10 mil à autoridade responsável em caso de descumprimento, com a possibilidade de bloqueio de verbas públicas.

A DPEMT pede também a inversão do ônus da prova, ou seja, que caiba ao Estado a obrigação de demonstrar, com dados estruturais, que está fornecendo adequadamente a assistência à saúde e o material na unidade.